Os Países Baixos distinguem-se pela estabilidade económica, pelas baixas taxas de criminalidade e de desemprego, e por uma localização geográfica favorável. Tudo isto, bem como a existência de tratados bilaterais com um grande número de países que eliminam o risco de dupla tributação, permite que os Países Baixos ultrapassem outras zonas offshore em termos de popularidade.
Zonas offshore no mundo
Uma zona offshore é um Estado onde vigora um regime favorável para o registo de empresas ou a obtenção de licenças para estabelecer uma offshore. As jurisdições offshore dividem-se em três categorias:
- clássico;
- respeitáveis;
- notórias.
Ilhas como as Seicheles, a Dominica, Anguila e Nevis fazem parte das estruturas offshore clássicas e são extremamente populares entre empresários. Os governos da UE estão a intensificar os controlos sobre as empresas que tenham pelo menos uma filial na sua estrutura de holding nas ilhas das Caraíbas. Entre as jurisdições reputadas incluem-se países da UE, como os Países Baixos, Malta, a Irlanda, o Reino Unido e França. Entre as jurisdições notórias incluem-se Aruba, Libéria, Andorra e outras.
O regime fiscal nos Países Baixos
As empresas nos Países Baixos pagam impostos sobre o seu rendimento global. Para organizações com lucros até 245.000 euros, a taxa de imposto é de 15%. Os dividendos são incluídos na base tributável total. No entanto, estão isentos de tributação ao abrigo da isenção de participação (deelnemingsvrijstelling). Esta isenção aplica-se a uma participação de pelo menos 5%. A isenção é também concedida se a subsidiária for tributada a uma taxa de imposto suficiente (mínimo de 10%) e se os ativos da subsidiária consistirem em menos de 50% de ativos passivos.
A partir de 2024, aplica-se nos Países Baixos uma retenção na fonte sobre os pagamentos de dividendos a jurisdições de baixa tributação (países na “lista negra” da UE, em que a taxa do imposto sobre as sociedades é inferior a 9%). A tributação dos dividendos provenientes de estruturas offshore nestes casos afetará igualmente os Estados com os quais os Países Baixos celebraram tratados fiscais.
Estas inovações visam principalmente evitar estruturas de “passagem” utilizadas para contornar o pagamento de impostos por parte de quem tem uma offshore nos Países Baixos. Para aconselhamento sobre questões fiscais e os aspetos jurídicos de fazer negócios, pode contactar um advogado fiscal, que o poderá ajudar a compreender as nuances do sistema fiscal neerlandês.
Registo de uma empresa neerlandesa
Para a criação de uma estrutura offshore nos Países Baixos, recomenda-se o contacto com um consultor jurídico no país, que poderá auxiliar na preparação de todos os documentos e na organização do processo de registo. O registo de uma empresa nos Países Baixos é efetuado mediante procuração, pelo que não é necessária a presença física dos diretores e acionistas. O notário exigirá cópias autenticadas dos passaportes dos futuros diretores e acionistas.
Caso uma pessoa coletiva faça parte dos acionistas ou administradores, é necessário confirmar o estatuto jurídico da organização e os poderes das pessoas que atuam em nome dessa entidade.
O registo de uma offshore nos Países Baixos pode ser efetuado em duas fases: em primeiro lugar, o notário submete os documentos ao Ministério da Justiça e da Segurança dos Países Baixos e, em seguida, após verificação pelo Ministério, é emitida uma declaração de inexistência de objeção. Posteriormente, pode proceder-se ao registo da offshore no Registo Comercial da Câmara de Comércio.
Para que tipos de empresas é adequada uma offshore nos Países Baixos?
A opção pelos Países Baixos como offshore é uma escolha ideal para empresas focadas em mercados internacionais e em relatórios transparentes. Este formato é o mais solicitado por:
- Empresas de TI, programadores de software e serviços SaaS;
- eCommerce e lojas online que operam com a Europa e os EUA;
- Estruturas financeiras e de investimento;
- Empresas de consultoria internacional;
- Estruturas de holding e de trust.
Uma empresa offshore europeia, registada nos Países Baixos, aumenta a confiança dos parceiros e simplifica o acesso a produtos bancários da UE. Isto é especialmente importante para quem trabalha com clientes e investidores estrangeiros.
Uma offshore nos Países Baixos mantém-se em caso de mudança de residência?
A alteração da residência fiscal pelo proprietário de uma empresa offshore nos Países Baixos não conduz à liquidação automática da empresa. A empresa permanece ativa sob a jurisdição neerlandesa, desde que todos os requisitos legais sejam cumpridos: submissão de relatórios, pagamento de impostos e manutenção de dados atualizados sobre diretores e acionistas.
Contudo, é importante considerar que, ao mudar-se para outro país, as obrigações fiscais do proprietário podem alterar-se – especialmente se o novo país exigir a declaração de sociedades estrangeiras controladas (CFC). Nesses casos, recomenda-se uma consulta com um jurista especializado em direito fiscal internacional para avaliar as implicações.
Offshore nos Países Baixos: vantagens e condições
Entre as potenciais vantagens da criação de uma offshore nos Países Baixos, destacam-se as seguintes:
- Patrocínio fiável — membro da UE — melhora automaticamente a reputação da empresa.
- Ausência de controlo cambial na offshore.
- Inexistência de requisitos rigorosos relativos ao capital social.
- Legislação fiscal flexível nos Países Baixos para empresários estrangeiros, uma vez que apenas pagam impostos aqueles que obtêm rendimentos no país. Se o rendimento for obtido fora das fronteiras, não é exigido o pagamento de impostos.
- Amplas oportunidades para estabelecer contactos comerciais e cooperação com empresas europeias.
- Forte apoio governamental ao mundo empresarial. Para empresários nos Países Baixos, incluindo não residentes, o Estado desenvolveu vários programas de incentivo.
- Assinatura de tratados para evitar a dupla tributação offshore com um grande número de países.
Desvantagens
Algumas desvantagens da criação de uma offshore na jurisdição europeia do Reino:
- Registo e manutenção da organização relativamente dispendiosos.
- Os dados de registo de pessoas coletivas são públicos e publicados numa publicação especial.
- É necessário manter uma contabilidade e apresentar relatórios.
- É necessário pagar imposto sobre os lucros, IVA, etc.
Se pretende não só minimizar a carga fiscal da sua própria empresa, mas também manter a elevada reputação comercial da mesma, escolha a offshore adequada — os Países Baixos são os que melhor se ajustam a este conceito.
Conclusão
Abrir uma offshore nos Países Baixos é uma decisão estratégica para aqueles que procuram uma combinação de otimização fiscal com atividades legais e transparentes numa jurisdição europeia respeitável. Os Países Baixos, apesar de não serem uma offshore clássica, oferecem vantagens únicas: uma economia estável, uma ampla rede de acordos internacionais e um sistema fiscal flexível e compreensível.
Os Países Baixos como offshore são uma escolha de estabilidade, reputação e acesso aos mercados europeus. Ao mesmo tempo, é importante considerar tanto as vantagens como as possíveis limitações: a necessidade de manter a contabilidade, pagar impostos e cumprir os requisitos legais. Para evitar erros e escolher a estrutura ideal, recomenda-se obter aconselhamento profissional sobre estruturas offshore nos Países Baixos.
Se está a considerar a possibilidade de registar uma empresa no estrangeiro e pretende saber quão adequada é uma offshore nos Países Baixos para si, contacte especialistas. Ajudamo-lo a abrir uma offshore, tendo em conta todas as nuances jurídicas e fiscais.
Perguntas frequentes
- Podem os Países Baixos ser utilizados como offshore para uma empresa de TI ou uma startup?
Sim, os Países Baixos como offshore são uma solução vantajosa para empresas de TI que operam em mercados internacionais. Existem incentivos fiscais para inovações e projetos de investigação, e é proporcionado acesso a capital de risco europeu.
- Em que é que uma offshore nos Países Baixos difere das zonas offshore clássicas no mundo?
Ao contrário das zonas offshore tradicionais, como o Belize ou as Seicheles, os Países Baixos oferecem uma jurisdição “branca” com um sistema fiscal transparente. Isto facilita os pagamentos internacionais e aumenta a confiança das contrapartes.
- Que alternativas existem para o registo de uma offshore nos Países Baixos?
Se os Países Baixos não forem adequados em termos de orçamento ou estrutura empresarial, podem ser consideradas zonas offshore como os EAU (Emirados Árabes Unidos), Chipre ou Singapura. No entanto, é importante ter em conta os acordos de dupla tributação e o estatuto da jurisdição nas listas da UE.
- Que tipo de empresa é melhor utilizar para uma offshore nos Países Baixos?
Normalmente, utiliza-se a forma BV (Besloten Vennootschap — sociedade por quotas). Oferece flexibilidade na definição da estrutura de gestão, na distribuição de lucros e nas obrigações de prestação de contas.